A Polícia Civil da Paraíba deflagrou, na manhã desta quinta-feira (26), a Operação Argos, considerada pela corporação como uma das maiores ofensivas recentes contra o narcotráfico interestadual. A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e mobilizou mais de 400 policiais em quatro estados.
De acordo com as investigações, a operação teve como alvo a organização criminosa liderada por Jamilton Alves Franco, conhecido como “Chocô”, apontado como o principal fornecedor de entorpecentes na Paraíba, com atuação também no Sertão de Pernambuco e no Ceará. Natural de Cajazeiras, ele teria migrado para São Paulo ainda jovem, onde, segundo a polícia, estabeleceu conexões com o núcleo de liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações começaram em meados de 2023, após apreensões de grandes carregamentos de drogas em municípios paraibanos. Conforme a Polícia Civil, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de funções em diferentes núcleos. O núcleo gerencial, sediado em São Paulo, seria responsável pelo planejamento estratégico, financeiro e logístico. Já o núcleo na Paraíba coordenava a distribuição e o varejo em cidades como Cajazeiras, Patos, Pombal, Sousa, João Pessoa e Campina Grande.
A polícia afirma que a organização utilizava um esquema de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e holdings familiares. Entre os investigados estariam profissionais com atuação em áreas como o sistema bancário e a medicina, apontados como responsáveis por integrar recursos ilícitos ao sistema financeiro formal.
Ainda segundo a investigação, a empresa AF Amaro Construções, sediada em Pombal (PB), teria recebido quase R$ 3 milhões em contratos públicos de serviços de esgoto e coleta de lixo em 2024, apesar de não possuir funcionários registrados. A suspeita é de que os recursos públicos tenham sido utilizados para financiar atividades ligadas ao tráfico de drogas.
Ao todo, foram cumpridos 44 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão em 13 cidades nos estados da Paraíba, São Paulo, Bahia e Mato Grosso. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 104,8 milhões em contas bancárias vinculadas a 199 investigados, além do sequestro de 13 imóveis de alto padrão e 40 veículos, incluindo carros esportivos e frotas de transporte, avaliados em mais de R$ 10 milhões.
A Polícia Civil estima que, desde 2023, a organização tenha movimentado cerca de R$ 500 milhões. As apreensões realizadas ao longo da investigação já teriam causado prejuízos superiores a R$ 100 milhões ao grupo criminoso, com interceptações de cargas em municípios como Patos, Cajazeiras, Conceição e São José de Piranhas.
O nome da operação faz referência a Argos Panoptes, personagem da mitologia grega conhecido por ter cem olhos e nunca dormir completamente. Segundo a corporação, o simbolismo representa a vigilância permanente e o monitoramento contínuo das ramificações do crime organizado em diferentes estados.
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