O professor e biólogo Ronaldo Justino afirmou que a requalificação ambiental do Açude Velho, em Campina Grande, é um processo complexo, de alto custo financeiro e que exigiria um longo período de execução. A declaração foi dada durante entrevista concedida nesta segunda-feira (12) ao programa A Frente da Notícia, do Blog do Márcio Rangel.
Segundo o especialista, o tempo necessário para que o Açude Velho volte a apresentar condições ambientais consideradas saudáveis dependeria principalmente do volume de investimentos destinados ao projeto. Ele explicou que intervenções simples, como a instalação de filtros na água, não seriam suficientes para resolver o problema.

De acordo com Ronaldo Justino, o açude possui uma “memória sedimentar”, formada por acúmulo de matéria orgânica e contaminantes ao longo de décadas. A remoção desse material exigiria processos como dragagem, filtragem e tratamento dos sedimentos, que demandam equipamentos específicos e elevados recursos financeiros.
O biólogo também lembrou que já houve discussões e anúncios sobre projetos de requalificação envolvendo a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), com participação do professor Kepler e da gestão municipal. No entanto, ele ressaltou que ações desse tipo precisam ser contínuas e acompanhadas de uma política mais ampla de cuidado ambiental.
Durante a entrevista, Ronaldo Justino destacou que os problemas ambientais observados no Açude Velho refletem uma situação mais ampla no município, citando casos recentes de queimadas em terrenos baldios, além de episódios relacionados à saúde pública. Para ele, a preservação ambiental deixou de ser apenas uma preocupação e passou a ser uma obrigação coletiva.

Outro ponto levantado foi a principal fonte de abastecimento do açude: o Riacho das Piabas. Segundo o professor, o curso d’água, considerado um marco histórico para o surgimento de Campina Grande, atualmente está canalizado, recebe ligações clandestinas de esgoto e contribui para a degradação da qualidade da água. Ele afirmou que, nessas condições, a água proveniente do riacho não deveria continuar entrando no açude.
Para que o Açude Velho permanecesse limpo de forma permanente, seria necessário buscar uma nova fonte de abastecimento, o que, segundo o especialista, representa um desafio ainda maior, especialmente por se tratar de uma região semiárida, onde a água é um recurso caro e escasso.
Ronaldo Justino avaliou que, mesmo com investimentos elevados, o processo de recuperação ambiental do Açude Velho levaria cerca de uma década para apresentar resultados consistentes. Ele concluiu afirmando que se trata de um projeto de grande magnitude, com custos elevados, mas essencial para a sustentabilidade ambiental e urbana da cidade.
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